
A Florida seria o oitavo estado a alterar o seu mapa eleitoral desde o ano passado, depois do Texas – onde a disputa com os democratas começou em junho de 2025, a pedido do presidente Donald Trump – Utah, Ohio, Carolina do Norte, Missouri, Califórnia e a Virginia, este na semana passada.
DeSantis, que convocou para terça-feira uma sessão extraordinária da legislatura estadual da Florida para discutir as novas circunscrições, partilhou a sua proposta inicialmente com a cadeia de televisão conservadora Fox News.
“A Florida estava sub-representada nos Censos de 2020 e temos lutado por uma representação justa desde então. A nossa população cresceu consideravelmente desde então e passámos de uma maioria democrata para uma vantagem republicana de 1,5 milhões”, disse o governador.
Nas eleições de 2024, a Florida elegeu 20 congressistas republicanos e oito democratas.
Com o novo mapa dos 28 distritos, o número de republicanos pode aumentar para 24.
Trump tem instigado os estados tendencialmente republicanos a avançar com revisões de mapas eleitorais que reforcem a posição do partido, alertando que a perda de controlo do Congresso levaria à sua destituição pelos democratas.
O Presidente republicano reiterou no domingo à Fox News que a Florida deveria alterar o seu mapa eleitoral, especialmente após o referendo na Virginia que autorizou a criação de novos distritos que deverão aumentar a representação democrata.
Na Florida, o novo mapa proposto pelos republicanos enfrenta uma emenda constitucional de 2010 que proíbe a revisão de distritos para fins partidários explícitos – prática conhecida na gíria política por ‘gerrymandering’.
Por outro lado, e embora Trump tenha triunfado na Florida desde a sua primeira campanha presidencial em 2016, há sinais de mudança após a eleição, em dezembro, de Eileen Higgins, a primeira autarca democrata de Miami em mais de 30 anos.
A também democrata Emily Gregory venceu uma eleição extraordinária em março no distrito que inclui Mar-a-Lago, onde está localizada a mansão de Trump.
O referendo da semana passada na Virginia respondeu à iniciativa dos republicanos em estados como o Texas.
Dos 11 congressistas que a Virginia tem no Congresso, seis são atualmente democratas.
Com o novo desenho de circunscrições, o número poderá subir até 10 nas eleições intercalares, em que estará em disputa o controlo das duas câmaras do Congresso.
Donald Trump qualificou de “fraudulento” o referendo ganho pelos democratas na Virginia.
“Os democratas saíram-se com mais uma vitória desonesta”, afirmou na rede Truth Social o Presidente, que faz com frequência acusações infundadas de fraude eleitoral, nomeadamente sobre a sua derrota nas presidenciais de 2020 frente ao democrata Joe Biden.
“Uma eleição fraudulenta teve lugar na noite passada no grande estado da Virginia”, sublinhou Trump.
“O dia todo, os republicanos estavam a ganhar, o entusiasmo era incrível, até ao fim, quando, claro, houve uma contagem maciça de ‘votos por correio’! Onde é que eu já ouvi isto?”, questionou o Presidente republicano de forma sarcástica.
No final de março, Trump assinou um decreto para regular mais rigorosamente o voto por correspondência, contestado pelos democratas na justiça.




