
Num comunicado, o grupo de especialistas nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para integrar a Missão Internacional Independente de Investigação para o Irão defendeu que as negociações de paz devem “incluir todas as partes e assentar nos direitos humanos” e ser acompanhadas de investigações imparciais de acontecimentos como o bombardeamento da escola de Minab, que causou 168 mortos.
Esse e outros possíveis ataques deliberados ou desproporcionais a bens de caráter civil poderão constituir crimes de guerra, insistiu a missão.
Recordou, a propósito, que 325 instalações médicas e de emergência sofreram ataques no Irao, bem como 760 escolas e centros educativos e 29 universidades.
Expressou também preocupação com as ofensivas a instalações nucleares em Khondab, Yazd e Bushehr.
No comunicado, a missão condenou igualmente a retórica de líderes norte-americanos como o Presidente, Donald Trump, que, nas horas anteriores ao acordo de cessar-fogo, pressionou Teerão com mensagens nas redes sociais ameaçando bombardear a República Islâmica “até a devolver à Idade da Pedra” ou aniquilar “uma civilização inteira”.
“Tais afirmações (…) podem ser indicativas de violações e crimes à luz do Direito Internacional”, advertiu o grupo de especialistas, recordando que nos termos dessa legislação são proibidas ameaças de violência cujo propósito principal seja semear o terror entre a população civil.
Quanto à política interna iraniana, a missão manifestou preocupação com a onda de detenções ocorrida desde o início dos ataques norte-americanos e israelitas, que incluiu a captura de destacadas figuras da oposição como a advogada de direitos humanos Nasrin Satudeh e de membros da comunidade religiosa Baha’i.
A missão das Nações Unidas para o Irão mostrou-se ainda preocupada com o apagão quase total da internet que prossegue no país e com o elevado número de execuções, com pelo menos 14 pessoas mortas nas últimas três semanas.




