18 março, 2026

Israel apela a revolta no Irão… mas admite que serão “massacrados”



Altos responsáveis israelitas comunicaram a diplomatas norte-americanos que se os iranianos saírem às ruas em protesto, numa tentativa de derrubar o regime atual, vão ser “massacrados” pelo exército do Irão.

A notícia é avançada pelo The Washington Post que diz ter tido acesso a um telegrama enviado pelo Departamento de Estado norte-americano, e cuja veracidade foi verificada por dois membros do mesmo. 

O telegrama terá circulado pela embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém na sexta-feira passada, onde era transmitida uma avaliação israelita sobre a situação no Irão. A missiva faria também um resumo das últimas reuniões entre responsáveis norte-americanos e membros seniores do Conselho de Segurança Nacional de Israel, Ministério da Defesa e Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Segundo Telavive, o Irão “não está a ceder” e está disposto a “lutar até ao fim”, apesar da morte do seu líder supremo, o agora ex-aiatola Ali Khamenei, e dos contínuos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel.

No telegrama, Telavive admitiu que esperava que o assassinato de Ali Khamenei tivesse gerado “mais caos” dentro do regime nos dias que se seguiram. Isso não só não aconteceu, como, apesar dos ataques, o Irão continua a lançar mísseis balísticos e drones “para todo o lado que querem”.

No início do ano, o povo iraniano já tinha saído às ruas em protesto contra o regime. Em resposta, o exército matou milhares de pessoas durante as manifestações. Se o mesmo acontecer agora, os altos responsáveis israelitas acreditam que “as pessoas vão ser massacradas” porque a Guarda Revolucionária do Irão “tem a vantagem”.

Mesmo assim, os mesmos responsáveis terão acrescentado na missiva que esperam que o povo iraniano se revolte contra o regime, e pediram aos Estados Unidos para preparar apoio para as manifestações, se vierem a acontecer.

Israel continua a apelar à revolta do povo apesar de possível massacre

A publicação do telegrama surge numa altura em que os Estados Unidos, Israel e até o príncipe exilado do Irão, Reza Pahlavi, têm apelado reiteradamente a uma revolta do povo iraniano.

“Israel vai atacar com força o regime de terror e vai criar condições que vão permitir que o corajoso povo iraniano se livre do jugo deste regime homicida”, afirmou Benjamin Netanyahu, o primeiro ministro de Israel, dias depois do primeiro ataque.

Na semana passada, repetiu o apelo nas redes sociais: “Esta é uma oportunidade única na vida para removerem o regime aiatola e recuperarem a vossa liberdade. Têm de agir. Estamos a criar condições para que o possam fazer”.

People of Iran,

We are waging a historic war for liberty.

This is a once in a lifetime opportunity for you to remove the Ayatollah regime and gain your freedom.

Together with the United States, we are hitting the Tyrants of Teheran harder than ever.

— Prime Minister of Israel (@IsraeliPM) March 10, 2026

Trump admite “obstáculos” à revolta iraniana

Já do lado norte-americano, a posição têm mudado com o tempo. Inicialmente, Donald Trump também pediu que os iranianos “derrubassem” o seu governo, mas desde então tem reconhecido o perigo que os manifestantes correm se saírem às ruas.

“Eles [a Guarda Revolucionária] têm literalmente pessoas nas ruas com metralhadoras, disparando contra as pessoas que querem protestar”, disse em entrevista à Fox News. “Acho mesmo que será um grande obstáculo para quem não tem armas”, admitiu.

Um funcionário da Casa Branca, que falou sob a condição de anonimato também ao The Washington Post, adiantou que Trump “não gosta de ver sofrimento em nenhum lado, incluindo no Irão, onde o regime terrorista massacrou manifestantes antes de o presidente intervir e está agora a atacar civis por toda a região”.

Os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra o Irão no passado dia 28 de fevereiro, que matou o líder supremo Ali Khamenei e vários outros altos responsáveis iranianos. Desde então, o conflito tornou-se mais generalizado, incluindo os países do Médio Oriente (nomeadamente o Líbano, com o grupo Hezbollah a tentar defender o Irão), levando já à morte de mais de mil pessoas devido a este conflito. Quando questionado sobre o fim da ofensiva, Donald Trump responde apenas que será e “em breve” sem se comprometer com qualquer data.

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