21 março, 2026

Ataque aéreo israelita atinge subúrbios do sul de Beirute



Os correspondentes da agência de notícias France Presse (AFP) na capital libanesa ouviram uma forte explosão, a mais recente de uma série de ataques contra o bastião do grupo xiita libanês Hezbollah, no sul de Beirute, que Israel tem bombardeado continuamente desde 02 de março.

Pouco depois do ataque, o exército israelita declarou nas redes sociais estar a “atacar a infraestrutura terrorista do Hezbollah em Beirute”.

Um fotógrafo da AFP viu, na manhã de hoje, vários edifícios destruídos e ruas cobertas de escombros nos subúrbios do sul de Beirute, onde a maioria dos moradores fugiu.

Desde que o Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Médio Oriente, a 02 de março, foram mortas 850 pessoas em ataques aéreos israelitas, incluindo 107 crianças, e foram deslocadas mais de 830 mil pessoas, das quais 130 mil estão a ser acolhidas em centros de acolhimento, segundo dados das autoridades libanesas.

Antes deste ataque aéreo, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) informou que soldados internacionais foram alvejados hoje no sul do país, “provavelmente por grupos armados não estatais”, dois dias depois de outro ataque a uma base militar.

Forças israelitas e do grupo xiita Hezbollah voltaram aos confrontos armados no sul do Líbano, no seguimento da ofensiva aérea desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

Em apoio do seu aliado iraniano, o Hezbollah começou a lançar ataques aéreos desde o início do mês contra o norte de Israel, que respondeu com bombardeamentos intensivos em Beirute, vale de Bekaa e no sul do Líbano, onde expandiu as posições terrestres que já mantinha desde o conflito anterior.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, disse hoje que Telavive não mantém “disputas graves com o Estado libanês”, mas com o Hezbollah, que acusa de se concertar com Teerão no lançamento de ataques aéreos contra o seu país.

Saar também criticou o Governo libanês por não ter tomado medidas eficazes para travar as ações do Hezbollah e que a normalização e a paz com Beirute dependem do fim das agressões do grupo xiita.

Segundo o portal de notícias norte-americano Axios, citando fontes israelitas e dos Estados Unidos, Israel planeia realizar uma “grande invasão” no sul do Líbano para eliminar a presença das milícias xiitas do Hezbollah.

O plano é tomar toda a área a sul do rio Litani, o que representaria a maior invasão terrestre do país vizinho desde 2006, ano da segunda guerra entre Israel e o Líbano.

Desde sexta-feira que o exército israelita começou a enviar reforços para a fronteira norte e está a mobilizar mais reservistas.

Além disso, nos últimos dias, o exército israelita emitiu avisos de retirada às populações em todo o sul do Líbano e, pela primeira vez, para as cidades e residentes a norte do rio Litani, que marcava a anterior demarcação das evacuações e também do território sob vigilância da FINUL e do exército libanês, supostamente vedado tanto a Israel como ao Hezbollah.

No sábado, em visita a Beirute, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que “não há solução militar” para o atual conflito entre o grupo xiita Hezbollah e Israel, pediu que parem os confrontos e bombardeamentos e apelou ao diálogo e às vias diplomáticas disponíveis.

Israel disse hoje ainda ter “milhares de alvos” para atacar no Irão, enquanto a República Islâmica advertiu outros países contra qualquer envolvimento na guerra, que se espalhou por todo o Médio Oriente.

Lusa | 23:22 – 15/03/2026



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