15 março, 2026

Alvos nos países árabes são “exclusivamente” norte-americanos e militares



Numa entrevista à Al Araby al Jadeed, meio de comunicação britânico em língua árabe, citada pela agência Efe, Abbas Araqchi instou os países do Golfo Pérsico a refletirem sobre a presença de bases dos Estados Unidos nos seus territórios e avisou que “não há previsões concretas” para o fim da guerra no Médio Oriente.

O chefe da diplomacia iraniana acusou ainda os Estados Unidos e Israel de realizarem ataques sob “bandeira falsa”, utilizando “um drone semelhante” ao iraniano Shahed, denominado Lucas, que, segundo afirmou, está a ser usado “para atacar vários pontos nos países árabes” considerados aliados da República Islâmica.

“Não atacamos nenhum alvo civil (…), é possível que tenham ocorrido danos colaterais em zonas residenciais, algo normal em qualquer guerra, e tomamos todas as precauções necessárias para o evitar”, garantiu Abbas Araqchi, citado pela Efe.

O governante iraniano mostrou-se aberto a reunir-se com os países do Golfo e a “formar uma comissão para investigar quais os alvos que foram atacados e se eram americanos ou não” e insistiu que o Irão dispõe de “informações fidedignas” que demonstram que o seu território está a ser atacado por países vizinhos através de mísseis de curto alcance.

Nesta entrevista, aponta a Efe, Araqchi defendeu que o exército iraniano vai seguir o “princípio do olho por olho” e alertou que se as fábricas iranianas forem atacadas, o Irão vai atacar fábricas norte-americanas, “quer sejam propriedade dos Estados Unidos ou tenham participação norte-americana”, salientando que o mesmo se aplica a instalações energéticas, bancos ou empresas.

“Não somos a causa disto, pelo contrário, é a calamidade que os Estados Unidos criaram para a região”, disse, mostrou-se desapontado com a inação dos Estados Árabes perante a agressão inicial dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.

Para aquele ministro iraniano, “ficou claro que os Estados Unidos não só são incapazes de garantir a segurança destes países, como são, eles próprios, um fator desestabilizador”.

Sobre o fim desta guerra, Araqchi avisou que terminará quando o Irão tiver “a certeza de que não se repetirá e de que serão pagas as reparações” e que um cessar-fogo não será suficiente se não permitir que o seu país se rearme e recupere as suas defesas aéreas.

Segundo o diplomata, “a guerra foi um erro” dos Estados Unidos, seguido de tantos outros erros, como “o ataque à escola de raparigas que eles próprios admitiram”, ou “o ataque à ilha de Jarg”, coração da indústria petrolífera iraniana.

Quanto ao estreito de Ormuz, explicou que a passagem está fechada “apenas aos navios e petroleiros norte-americanos e dos seus aliados”, mas que “está aberta aos demais” países.

Araqchi confirmou ainda que “inúmeros países” entraram em contacto com o Irão a solicitar permissão para transitar pelas águas iranianas com garantias de segurança, algo que, segundo o responsável pelos Negócios Estrangeiros daquele país, cabe ao Exército iraniano “em função das condições geográficas e de localização” garantir.

A guerra em curso no Médio Oriente resultou no bloqueio quase total pelo Irão do estreito de Ormuz, por onde transita mais de 20% do comércio petrolífero internacional.

O conflito fez aumentar os preços do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis e de bens essenciais em vários países, incluindo Portugal, fazendo recear uma crise económica global.

Mais de duas mil pessoas foram mortas desde o início da guerra, a maioria no Irão.

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