13 março, 2026

Trocar de parceiro aumenta o sucesso reprodutivo do papa-moscas-preto



O trabalho foi conduzido por uma equipa de investigação liderada pelo Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN) do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) de Espanha.

Para chegar a esta conclusão, os especialistas utilizaram dados de monitorização de 1987 de uma população nas montanhas a norte de Madrid.

Estes dados incluíam, por exemplo, a data em que cada casal inicia a postura dos ovos, o tamanho da ninhada e o número de crias que emplumam.

A equipa conseguiu determinar se um casal se reúne ou não graças à anilhagem e à monitorização anual exaustiva da população.

Em cada estação, são assinalados todos os indivíduos associados às quase 250 caixas-ninho utilizadas pela população.

Além disso, todos os anos, todas as crias nascidas nas caixas são anilhadas e os adultos reprodutores são capturados.

O investigador do MNCN, Daniel R. Rodríguez-Solís, explicou que cada ave possui uma anilha com um código individual, “que funciona como um cartão de identificação”, permitindo a sua identificação quando se voltar a reproduzir.

“Considerando que nascem geralmente entre quatro a seis crias por jaula, estamos a falar de mais de 1.000 crias anilhadas por ano, para além dos adultos reprodutores que são capturados e marcados, caso ainda não o tenham sido”, acrescentou Iraida Redondo, também especialista do MNCN.

O estudo, publicado na revista Ibis, indicou que, em quase quatro décadas, apenas 3,5% das aves permaneceram juntas entre as épocas de reprodução e que os indivíduos que se reproduziram com um novo parceiro conseguiram criar mais crias.

A investigação indicou ainda que tanto os machos como as fêmeas que mudaram de parceiro conseguiram criar mais crias do que na época anterior, independentemente da idade dos indivíduos ou do tipo de habitat em que se reproduziram.

Nas espécies migratórias de curta duração, onde cada época de reprodução é crucial, o risco de não se reencontrarem supera os benefícios derivados da familiaridade ou de uma melhor coordenação parental, que poderiam ser obtidos acasalando com o mesmo parceiro.

De acordo com esta investigação, os resultados sugerem que o divórcio pode ser uma estratégia adaptativa para estes tipos de aves.

Para além de aumentar o número de crias, a troca de parceiro pode permitir uma maior compatibilidade, o acesso a um território de reprodução de melhor qualidade ou o acasalamento com um indivíduo de maior capacidade reprodutiva.

“O desafio agora é determinar se as vantagens do divórcio se mantêm a longo prazo, por exemplo, na sobrevivência dos adultos ou no desempenho reprodutivo da descendência”, destacou Rodríguez-Solís.

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