
Um homem que foi baleado pelas autoridades e acabou por morrer teve de aguardar 10 minutos a mais por uma ambulância, depois de uma agente com um “leve ataque de ansiedade” ter sido transportada pelo primeiro veículo de emergência que acorreu ao local, de acordo com uma investigação divulgada na segunda-feira pelo Gabinete do Inspetor-Geral do estado norte-americano do Connecticut.
Dyshan Best, de 39 anos, foi atingido nas costas enquanto fugia das autoridades, em Bridgeport. Segundo o relatório estatal, o uso de força foi justificado por o homem ter uma arma de fogo na mão.
Ainda assim, o documento colocou em causa os acontecimentos daquele dia 31 de março de 2025. Isto porque, conforme noticiou a Associated Press, a primeira ambulância acionada chegou ao local às 18h02, cerca de 14 minutos após o tiroteio. Contudo, e a pedido de outros agentes, esse veículo de emergência não transportou o homem, mas sim a agente Erin Perrotta, que tinha estado envolvida na perseguição e estava a ter um “leve ataque de ansiedade”.
“Estou bem, só preciso de sair daqui”, terá dito a mulher, que recusou ser tratada na ambulância.
A segunda ambulância chegou pelas 18h12. Best deu entrada no hospital às 18h22, cerca de 14 minutos depois de Perrotta. O homem morreu às 19h41, enquanto era tratado aos ferimentos sofridos, que lhe impactaram o fígado e o rim direito.
O relatório assinado por Eliot Prescott não estabeleceu se o atraso contribuiu para a morte de Best, mas a família e amigos da vítima ficaram indignados com as novas informações.
“É doloroso ouvir todos estes detalhes. Estávamos à procura de justiça. Na nossa comunidade, não sabemos o que é justiça. Queremos justiça para o meu tio. Acreditamos sinceramente que ele foi assassinado”, confessou Tatiana Barrett.
O caso deu-se na sequência de uma denúncia de que estava a decorrer uma rixa entre 30 pessoas, algumas das quais armadas. Uma testemunha assegurou que dois homens num SUV tinham uma arma, pelo que Perrotta procedeu à abordagem do veículo. Best estava sentado no lugar do pendura, com uma garrafa de álcool, um telemóvel e um vape na mão. Quando a agente lhe pede para sair do automóvel, o homem começa a correr.
Enquanto era perseguido, Best terá empunhado uma arma de fogo de 9 mm, levando o polícia Yoon Heo a disparar duas vezes contra ele. Com base nos vídeos do incidente, Prescott concluiu que a ação foi justificada, porque Best apontou a arma na direção do agente. O advogado da família argumentou, no entanto, que o homem tinha apenas um vape na mão.



