12 março, 2026

Comissão Europeia condena participação da Rússia na Bienal de Arte de Veneza



Num comunicado divulgado na terça-feira, e citado pela agência de notícias ANSA, a Comissão Europeia condena “veementemente” a decisão da organização “de permitir que a Rússia reabra o seu pavilhão nacional na 61.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza”, que começa em maio.

No comunicado, assinado pela vice-presidente da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, e pelo comissário europeu para a Cultura, Glenn Micallef, especifica-se que a decisão “não é compatível com a resposta coletiva da União Europeia à agressão brutal da Rússia”.

“Caso a Fundação Bienal decida avançar com a sua decisão de permitir a participação da Rússia, iremos considerar outras medidas, incluindo a suspensão ou cancelamento da subvenção da União Europeia concedida à fundação”, lê-se no comunicado.

A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.

Os dois responsáveis lembram que a Comissão Europeia “tem sido clara quanto à sua posição em relação à guerra ilegal de agressão da Rússia contra a Ucrânia”.

“A Cultura promove e salvaguarda valores democráticos, fomenta o diálogo aberto, diversidade e liberdade de expressão, e nunca deveria ser usada como uma plataforma para propaganda”, defendem.

Para a Comissão Europeia, “os estados-membros, as instituições e as organizações devem agir em conformidade com as sanções da União Europeia e evitar fornecer uma plataforma a indivíduos que tenham apoiado ativamente ou justificado a agressão do Kremlim contra a Ucrânia”.

Entretanto, também na terça-feira, os ministros da Cultura e dos Negócios Estrangeiros de 22 países, entre os quais Bélgica, Suíça, França, Espanha, Alemanha e Ucrânia, manifestaram-se contra a presença da Rússia na Bienal de Arte de Veneza, considerando a sua participação “inaceitável nas atuais circunstâncias”.

Numa carta conjunta, citada pela agência ANSA, os governantes apelam à direção da bienal que “reconsidere a participação da Federação Russa na Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza”.

Embora a organização nunca tenha proibido a participação da Rússia, o país esteve ausente da Bienal de Arte nas edições de 2022 e 2024.

Em 2022, os artistas e curadores do Pavilhão da Rússia desistiram de participar como forma de protesto contra a guerra, que começou em fevereiro desse ano.

Em 2024, a Rússia voltou a não participar, cedendo o seu pavilhão, situado nos Jardins da Bienal, à Bolívia.

Este ano, o pavilhão da Rússia acolhe o projeto “The tree is rooted in the sky” (“A árvore tem raízes no céu”, em tradução livre), comissariado por Anastasiia Karneeva, para uma exposição que reúne cerca de 40 artistas, entre eles Lizaveta Anshina, Ekaterina Antonenko, Antonio Buonuario e DJ Diaki.

A 61.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, que tem início a 09 de maio, conta com 99 pavilhões nacionais de todo o mundo.

Sob o tema “In Minor Keys” e conceito de Koyo Kouoh, a Bienal de Arte terá ainda 31 eventos paralelos a decorrer até ao encerramento, a 22 de novembro de 2026, em vários locais de Veneza.

Sete países participam pela primeira vez nesta Bienal de Arte: Guiné, Guiné Equatorial, Nauru, Qatar, Serra Leoa, Somália e Vietname. Além disso, El Salvador participa pela primeira vez com o seu próprio pavilhão.

Portugal estará representado pelo projeto artístico “RedSkyFalls”, de Alexandre Estrela, comissariado pela Direção-Geral das Artes com curadoria de Ana Baliza e Ricardo Nicolau, no Palácio Fondaco Marcello, e que será apresentado na próxima semana, em Lisboa.

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