
“O Serviço Nacional de Investigação Criminal [Sernic] e a Polícia da República de Moçambique, [PRM], realizaram hoje uma operação conjunta e simultânea com o objetivo de prevenir e combater a venda e consumo ilícito de drogas”, disse à comunicação social Hilário Lole, porta-voz da PRM em Maputo.
Segundo o responsável, durante a operação, igualmente coordenada com o apoio da Procuradoria-Geral da República, do Serviço Nacional de Salvação Pública e do Serviço Nacional Penitenciário, foram apreendidas mais de 30 quilogramas de diversas drogas, destacando-se a cocaína, heroína, além de outras drogas sintéticas, e foram também detidos 44 cidadãos entre vendedores e consumidores.
“Os detidos encontram sob custódia e as drogas apreendidas foram devidamente depositadas para os procedimentos legais e posterior incineração”, referiu.
Hilário Lole explicou ainda que a operação resulta de denúncias feitas sobre grupos criminosos que utilizam residências em alguns bairros no centro da capital moçambicana, como Mafalala e Sommershield, para acolher os consumidores de drogas, muitos dos quais jovens em situação crítica de toxicodependência.
“Por isso, estamos determinados a estancar [o consumo e a venda de drogas], pois afeta gravemente a saúde pública e tem contribuído para o aumento de atos criminais, sobretudo furtos de acessórios de viaturas e roubos de residências para sustentar o seu vício. Face a este cenário, foram emitidos mandados de busca e apreensão pelas autoridades judiciais competentes, os quais foram devidamente executados no âmbito desta operação ocorrida hoje”, assinalou.
Este trabalho, segundo o representante, continuará nos próximos dias para eliminar os locais de venda de droga e, sobretudo, proteger a juventude, no sul do país.
O número de pessoas atendidas nos hospitais moçambicanos por consumo de drogas subiu em 18% em 2025, para 30 mil, com 2.500 toxicodependentes reintegrados nas famílias, anunciaram em fevereiro as autoridades, admitindo um aumento de consumo pelos jovens.
“Verificou-se o aumento do número de pacientes com perturbações mentais e de comportamento decorrentes de uso de substâncias psicoativas, tendo sido atendidos em 2025 cerca de 30 mil pessoas”, disse a diretora do Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga (GCPCD), Filomena Chitsondzo.
A responsável adiantou que em 2025 as autoridades moçambicanas realizaram mais de três mil visitas domiciliárias de apoio psicossocial, onde foram reintegrados nas famílias mais de 2.500 toxicodependentes, superando o número do ano anterior, em que foram reintegrados 500 consumidores.
Em 18 de novembro, as autoridades nacionais admitiram que Moçambique apreendeu e incinerou drogas avaliadas em 21,6 milhões de euros em 2024, mas enfrenta desafios significativos no combate ao tráfico, enquanto país de trânsito de redes internacionais.
Um total de 950 quilogramas de drogas foram apreendidas e 294 pessoas detidas no primeiro semestre de 2025 em Moçambique, indica-se no relatório sobre a situação do consumo e tráfico ilícitos de droga em Moçambique, elaborado pelo GCPCD, referente ao primeiro semestre do ano passado, em que se aponta para o envolvimento de funcionários públicos em pontos de entrada dos estupefacientes.
Moçambique é apontado por várias organizações internacionais como um corredor de trânsito para o tráfico internacional de estupefacientes com destino à Europa e Estados Unidos, sobretudo de heroína oriunda da Ásia, mas as apreensões de cocaína oriunda da América do Sul têm também aumentado.



