27 fevereiro, 2026
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Israel afirma que diretrizes de segurança não mudaram apesar da ameaça



“Também esta semana estamos cientes da incerteza e da tensão que a população sente face aos acontecimentos regionais. As Forças de Defesa de Israel [IDF, na sigla inglesa] acompanham de perto os acontecimentos no Irão e permanecem alertas e preparadas para defendê-los”, afirmou Effie Defrin num comunicado em vídeo divulgado pelas forças militares.

Como todas as sextas-feiras antes do início do sabbat (o dia de descanso no judaísmo), o porta-voz compareceu para atualizar a população sobre a situação de segurança em Israel, diante da incerteza no país sobre uma eventual escalada bélica.

Se isso acontecer, o Comando da Frente Interna israelita alteraria as diretrizes de segurança para a população, no que diz respeito às indicações de comparecimento ao trabalho, à escola e outros aspetos da vida quotidiana.

Em Haifa, o grande porto do norte de Israel, ou em Telavive, no centro do país, os habitantes expressam o seu cansaço, mas dizem estar preparados para enfrentar a ameaça de ataques iranianos, que se tornou para eles “uma espécie de rotina”.

“Aconteça o que acontecer, façamos o que fizermos, quer isso nos diga diretamente respeito ou não, estamos constantemente sob ameaça”, disse Maya Liya Cohen, uma advogada que vive em Haifa, em declarações à agência de notícias France-Presse (AFP).

“A ameaça de guerra é para nós uma espécie de rotina”, afirmou.

A possibilidade da guerra tornou-se mais nítida nos últimos dias, à medida que cresce a escalada entre Washington e Teerão e, com ela, os riscos de represálias iranianas contra Israel, inimigo declarado da República Islâmica, em caso de um ataque norte-americano ao Irão.

Para muitos israelitas, o clima de tensão reaviva a memória da guerra de 12 dias que opôs o país ao Irão em junho de 2025, desencadeada por um ataque israelita que visou em primeiro lugar o alto comando militar iraniano, bem como os lançadores de mísseis e as instalações do programa nuclear.

“Temos uma sala segura, que está sempre pronta. É o nosso quarto. Temos água, um ‘kit’ de emergência”, adiantou Maya Liya Cohen.

“Antes, éramos acordados a meio da noite por uma sirene e não sabíamos o que era. Mas aconteceu. E, para nós, infelizmente, tornou-se uma rotina. Se ouvirmos as sirenes, vamos esconder-nos”, acrescentou.

Hoje, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou que visitará Israel na segunda-feira.

Segundo o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Tommy Pigott, Rubio irá discutir “uma série de prioridades regionais, incluindo o Irão, o Líbano e os esforços em curso para implementar o plano de paz de 20 pontos do Presidente Trump para Gaza”.

Os Estados Unidos recomendaram hoje a saída de pessoal não essencial da embaixada em Jerusalém.

Também a China instou os seus cidadãos a abandonarem o Irão “o mais rapidamente possível”, citando um “aumento acentuado dos riscos de segurança externa”, posição semelhante à adotada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, que instruiu o seu corpo diplomático a deixar o país.

Estes desenvolvimentos surgem um dia depois da terceira ronda de negociações indiretas entre os Estados Unidos e o Irão, realizada em Genebra, Suíça, sob mediação de Omã.

O encontro foi encarado como uma das últimas oportunidades para evitar um conflito, após o maior destacamento militar norte-americano no Médio Oriente em décadas.

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