
“O general Caine, como todos nós, preferia não ver uma guerra, mas se fosse tomada a decisão de intervir militarmente contra o Irão, acredita que seria algo fácil de vencer”, garantiu o chefe de Estado norte-americano na sua rede social, a Truth Social.
“Não falou sobre não atacar o Irão, nem sobre ataques limitados, como foi falsamente noticiado e sobre o qual tenho lido”, insistiu Trump.
O republicano reagiu desta forma às notícias de que Caine “é contra uma guerra com o Irão”.
“Isto é 100% incorreto”, frisou, antes de lembrar que Caine comandou a operação na qual os bombardeiros B-2 destruíram instalações nucleares iranianas em junho.
Vários órgãos de comunicação social norte-americanos, citando fontes ligadas ao processo, noticiaram que Caine alertou Trump de que o ataque ao Irão acarreta sérios riscos, particularmente o potencial para um impasse prolongado e baixas norte-americanas.
“Caine é um grande lutador e representa as forças armadas mais poderosas do mundo (…). Só sabe uma coisa: como vencer. E se receber ordens, estará no comando”, enfatizou Trump.
O presidente norte-americano reiterou que é ele próprio quem “toma a decisão”.
“Preferia chegar a um acordo do que não chegar, mas se não chegarmos, será um dia muito sombrio para aquele país e, infelizmente, para o seu povo, porque são grandiosos e maravilhosos, e nada disto lhes deveria acontecer”, concluiu.
Donald Trump ordenou um destacamento naval e aéreo maciço no Médio Oriente e Teerão tem reiterado estar preparado para responder a qualquer intervenção militar norte-americana.
Os dois países realizaram a 17 deste mês, na Suíça, uma segunda sessão de negociações indiretas, através de mediação de Omã, num contexto de tensões acrescidas na região, para onde Washington enviou dois porta-aviões.
Novas conversações, confirmadas pelo Irão e por Omã, mas não pelos Estados Unidos até ao momento, estão previstas para quinta-feira.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, lidera as negociações pelo lado iraniano, enquanto os Estados Unidos estão representados pelo enviado Steve Witkoff e pelo genro do Presidente norte-americano, Jared Kushner.
Estas novas tensões entre Washington e Teerão surgiram após a repressão de um vasto movimento de contestação no Irão. Donald Trump prometeu então prestar “apoio” ao povo iraniano.
Pela primeira vez desde esses protestos, ouviram-se novamente nos últimos dias, em várias cidades iranianas, palavras de ordem apelando à morte do líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei.
A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, apelou hoje a uma “solução diplomática”, numa altura em que o Irão “se encontra no ponto mais fraco de sempre”.
O receio de uma eventual intervenção militar norte-americana no Irão levou vários países a exortar os seus cidadãos a abandonarem o país, como a Índia, que anunciou hoje essa decisão.



