17 fevereiro, 2026
17 fevereiro, 2026

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Carneiro enviou cinco cartas a Luís Montenegro (e nenhuma teve resposta)



O secretário-geral do Parido Socialista (PS), José Luís Carneiro, revelou que enviou cinco cartas ao primeiro-ministro, Luís Montenegro. No entanto, uma vez que nenhuma obteve resposta, o líder socialista deixou o aviso de que “a paciência tem limites”. 

 

As cartas dirigidas a Luís Montenegro tinham no seu conteúdo propostas de soluções para a saúde, a habitação, a defesa, a justiça e também propostas para mitigar os efeitos da crise provocada pelas tempestades, noticiou o jornal Público.

Ao mesmo meio, o líder socialista apontou que o silêncio do Palácio de São Bento é um bloqueio a entendimentos em matérias estruturais e que é difícil de compreender. 

Desta forma, José Luís Carneiro acusa o Governo de “alguma soberania” e de “alguma insensibilidade”. Apesar da falta de resposta, garantiu que irá continuar a apresentar propostas, uma vez que considera ser um “dever criticar o que está mal, mas também apresentar propostas alternativas”. 

Já sobre as cartas, o secretário-geral do PS salientou que “não são meras cartas”. “São propostas concretas. E do meu ponto de vista, deveriam ter tido seguimento. O Governo devia ter-se centrado nessas propostas e criado equipas de trabalho que assegurassem que, independentemente de quem está em funções, essas medidas pudessem ter continuidade”, explicou.

De notar que, por exemplo, na área da saúde, o primeiro-ministro mostrou-se receptivo para um diálogo.

“No Parlamento, o primeiro-ministro disse que era preciso entrar em conversação, mas essa conversa nunca aconteceu. Nem comigo, nem com responsáveis do grupo parlamentar, nem com membros do Governo. Houve uma declaração de intenção. Na prática, não houve diálogo ou qualquer contacto para dar seguimento às propostas que apresentámos”, adiantou.

José Luís Carneiro defendeu ainda que os socialistas “não são menos oposição por participar em soluções concretas” e que estão “preparados para apresentar propostas de política pública alternativas às do Governo, em várias áreas”. 

Note-se que, de acordo com um artigo do Público, embora o líder do PS tenha mantido uma abertura ao diálogo, há, na bancada parlamentar, quem defenda menos contenção e maior afirmação de uma alternativa política.

A mudança em Belém

Com a chegada de António José Seguro ao Palácio de Belém e depois de no seu discurso de vitória ter prometido que seria um Presidente da República “exigente” e que sob o seu mandato “não ficará tudo na mesma”, o PS leu a mensagem como um incentivo a uma maior articulação institucional. 

O PS, recorde-se, é, neste momento, o terceiro partido no Parlamento. Juntamente com o partido de André Ventura ‘formam’ a oposição ao Executivo de Luís Montenegro. 

“Há matérias em que o Governo já mostrou que a sua opção é para os braços do Chega e de André Ventura. Espero que não se sinta tentado a fazê-lo nas matérias laborais e que saiba respeitar a concertação social e as propostas dos parceiros socias, nomeadamente da UGT”, sublinhou, tendo notado que Luís Montenegro prefere aliar-se ao Chega em “algumas matérias”. 

Carneiro referiu ainda que acredita que o seu “dever” é “denunciar aquilo que está errado, mas, ao mesmo tempo, apresentar propostas responsáveis do ponto de vista orçamental e financeiro”. 

“É isso que continuarei a fazer, independentemente da atitude do Governo”, afirmou.

Ao Público, o líder socialista adiantou que, esta semana, irá apresentar novas medidas ao Governo e que agora verá “como é que o Governo também se quer posicionar agora que temos outra voz na Presidência da República”. 

José Luís Carneiro tem-se focado nos temas e áreas que definiu como prioritárias aquando à sua candidatura para secretário-geral do PS, dizendo que será uma “oposição responsável e firme ao Governo”.

O socialista frisou que o seu partido continuará com disponibilidade para o diálogo com o Executivo de Luís Montenegro. No entanto, a exigência de resposta aumentará, tendo em conta que, dentro de semanas, António José Seguro tomará posse como Presidente da República. 

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