
O Parlamento poderá adiar “por um ou dois dias” o debate quinzenal agendado para esta tarde, avançou a Rádio Observador esta madrugada.
A possibilidade, entretanto também noticiada pelo semanário Expresso, prende-se com o facto de o primeiro-ministro ter assumido a pasta da Administração Interna (face à demissão de Maria Lúcia Amaral) num momento em que há risco de colapso de um ou mais diques no rio Mondego, em Coimbra.
O PSD terá contactado algumas bancadas parlamentares da oposição avaliando se haveria consenso para o adiamento e, pelo menos da parte do PS, há concordância. Contudo, ainda segundo o Expresso, a decisão final será tomada esta manhã, em conferência de líderes.
O primeiro-ministro deveria regressar esta tarde ao Parlamento para um debate quinzenal, numa altura em que a resposta do Governo às consequências do mau tempo está no centro da polémica.
Caberia a Luís Montenegro a intervenção inicial, e André Ventura – que retoma o mandato de deputado que suspendeu durante a campanha – seria o primeiro a questionar o chefe do Governo, seguindo-se PS, IL, Livre, PCP, BE, PAN, JPP, antes das bancadas que suportam o Governo, CDS-PP e PSD.
Na terça-feira à noite, foi anunciado através de uma nota oficial divulgada no site da Presidência da República que Marcelo Rebelo de Sousa “aceitou o pedido de demissão” de Maria Lúcia Amaral, “que entendeu já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo”.
Segundo a mesma nota, a demissão da MAI foi proposta ao chefe de Estado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, “que assumirá transitoriamente” as competências de Maria Lúcia Amaral.
Esta é a primeira demissão do XXV Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro, pouco mais de oito meses depois da sua posse, a 05 de junho de 2025.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
Sobre a resposta ao mau tempo, o primeiro-ministro tem defendido que o Governo fez tudo o que era possível desde o início e que este ainda não é o momento de fazer a avaliação do executivo, mas de responder às situações de emergência no terreno.
Nas duas últimas semanas, o Governo realizou dois Conselhos de Ministros centrados neste tema — um extraordinário, a 01 de fevereiro, em que aprovou os primeiros apoios a famílias e empresas, quer para ajuda à subsistência quer para reconstrução de habitações e fábricas destruídas, que o primeiro-ministro estimou totalizarem 2,5 mil milhões de euros.
Na quinta-feira passada, além de ter sido prolongada a situação de calamidade até ao próximo domingo, foi formalizada a isenção de portagens em alguns trechos de autoestradas das zonas afetadas pelo mau tempo e aprovado um regime jurídico excecional e transitório de simplificação administrativa e financeira para a reconstrução e reabilitação, sem controlo administrativo prévio.
A acontecer, o debate quinzenal desta tarde realiza-se também três dias depois da eleição do novo Presidente da República, o antigo secretário-geral do PS António José Seguro, que venceu com quase 67% e 3,48 milhões de votos, quando faltam votar 20 freguesias, de oito municípios, que pediram o adiamento do sufrágio para o próximo domingo devido ao mau tempo.
O outro candidato, o presidente do Chega, André Ventura, obteve mais de 1,7 milhões de votos (cerca de 33%), o que o levou a autointitular-se no domingo “líder da Direita”.
Já o primeiro-ministro defendeu no domingo que “nada mudou” para a governação com esta eleição presidencial e insistiu, por várias vezes, que se abre agora um período de 3,5 anos sem eleições nacionais, referindo-se ao final previsto da legislatura, no outono de 2029.
MAI demitiu-se, Marcelo aceitou e reações não tardaram: “Única saída”
A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, demitiu-se do cargo na noite de terça-feira, tendo a informação sido partilhada através da Presidência da República, que deu conta de que Marcelo havia aceitado o pedido. Mas depois da onda de críticas, quais foram as reações partidárias à saída da ministra?
Maria Gouveia | 08:30 – 11/02/2026



