
Os serviços do Presidente francês, Emmanuel Macron, que tinham pedido ao ex-ministro socialista para “pensar na instituição” que dirige, após as revelações dos documentos publicados nos Estados Unidos a 30 de fevereiro sobre o caso Epstein, disseram hoje à noite que “tomaram conhecimento da demissão” de Lang.
“Proponho apresentar a minha demissão na próxima assembleia geral extraordinária”, escreveu Jack Lang numa carta ao ministro dos Negócios Estrangeiros consultada hoje pela France-Presse, isto depois de já esta semana ter recusado demitir-se.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, cujo ministério tutela o prestigioso instituto, instrumento das relações de França com o mundo árabe, anunciou um processo de nomeação de uma presidência interina para o IMA.
Jack Lang, de 86 anos, antiga figura do partido socialista francês e ministro da Cultura sob a presidência de François Mitterrand, tinha sido convocado para uma reunião, domingo, no Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Depois de declarar na segunda-feira que assumia “plenamente laços passados” com o milionário norte-americano, Jack Lang assegurou na quarta-feira que nada sabia do passado criminoso deste homem quando o conheceu “há cerca de 15 anos” através do realizador Woody Allen.
Não existem acusações contra Jack Lang, mas a menção do nome do antigo ministro francês por 673 vezes e os seus laços de interesse com Epstein tiveram impacto, incluindo para a sua filha Caroline, que se demitiu do cargo de presidente de um sindicato de produtores de cinema após revelações sobre uma empresa ‘offshore’ que fundou em 2016 com o empresário norte-americano.
Nas fileiras políticas, os apelos à saída de Jack Lang multiplicaram-se, inclusive no seu próprio campo, nomeadamente dos Verdes e dos socialistas.
Apesar das pressões para se demitir da liderança do reconhecido instituto, Jack Lang vinha recusando deixar o cargo, citando a sua “ingenuidade” perante as revelações sobre os seus laços passados com Jeffrey Epstein, com a publicação de milhões de documentos a 30 de janeiro pelo sistema judicial norte-americano.
O executivo francês disse na quinta-feira à noite que deveria “pensar na instituição”.
A Procuradoria Nacional Financeira de França (PNF) confirmou sexta-feira que abriu uma investigação preliminar ao ex-ministro Jack Lang e sua filha por “branqueamento de capitais agravado por fraude fiscal”, após as revelações do caso Epstein.
Lusa | 06:38 – 07/02/2026
O instituto recebe uma subvenção anual de 12,3 milhões de euros do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, metade do orçamento do organismo.
Os documentos, divulgados pelas autoridades dos Estados Unidos, resultam da investigação ao empresário norte-americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais envolvendo uma menor.
Epstein morreu numa cela de prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais nos Estados Unidos de ter abusado sexualmente de dezenas de mulheres, incluindo menores.



