7 fevereiro, 2026
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"Democrata debate. Não insulta e tenta, no final do jogo, mudar regras"



O candidato presidencial apoiado pelo Partido Socialista (PS), António José Seguro, reforçou, esta sexta-feira, os apelos ao voto no sufrágio do próximo domingo, que ditará o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa. Além de ter garantido que, caso seja eleito, irá “ao terreno verificar se as famílias e as empresas foram apoiadas”, no rescaldo da passagem das depressões Kristin e Leonardo, o socialista reiterou que André Ventura “é um risco para a democracia”, tendo em conta que “um democrata debate ideias” e “não insulta os adversários”, tampouco “tenta, perto do final do jogo, alterar as regras”.

 

Confrontado com a possibilidade de a abstenção ditar que perca a segunda volta das eleições para o líder do Chega, António José Seguro garantiu que o seu receio a esse respeito “parte de uma outra realidade”.

“As sondagens dão-me uma larga vantagem em relação ao meu adversário e eu tenho encontrado muitas pessoas que me dizem, ‘o senhor já está eleito’. Não estou eleito, porque as sondagens não elegem Presidentes. Quem elege Presidentes é o voto de cada portuguesa e de cada português. O apelo que faço é que vão votar no próximo domingo, para escolherem verdadeiramente o Presidente que querem”, disse, em entrevista à CNN Portugal/TVI.

E complementou: “Acredito nos portugueses e peço a confiança aos portugueses. Deem-me uma oportunidade para ser o Presidente da República de Portugal. Serei o Presidente da estabilidade, moderado e exigente com o Governo, este ou outro, para que apresente soluções.”

Na ótica do socialista, André Ventura “é um risco para a democracia porque utiliza métodos e recorre a métodos que não são democráticos”, entre eles “falsidades”.

“Ainda hoje foi publicado nas redes sociais, no jornal do partido desse meu adversário, a imputação de declarações que eu nunca fiz e que não têm sentido nenhum. Ora, a falsidade não contribui para a clarificação dos projetos, nem sequer respeita os portugueses”, disse, referindo-se a um artigo publicado no Folha Nacional, órgão da responsabilidade do Chega, que dava conta de que “Seguro diz que fará tudo para travar PSD, Chega e IL no governo”.

O candidato presidencial António José Seguro assumiu sem rodeios que usará todos os poderes de Belém para impedir soluções governativas à direita. pic.twitter.com/pNagH3uFBu

— Jeff Nascimento (@Jeffers78017291) February 6, 2026

Nessa linha, o antigo líder do PS frisou que “um democrata debate ideias e contribui para elevar o nível da qualidade política do debate”, pelo que “não insulta os adversários e muito menos tenta, perto do final do jogo, alterar as regras”. Isto porque, recorde-se, foram vários os apelos por parte de André Ventura e de membros do Chega para que as eleições presidenciais fossem adiadas em todo o país, em virtude das consequências do mau tempo, apesar de o enquadramento legal não o permitir.

Quanto à eventualidade de se ver forçado a dar posse a um governo tutelado pelo Chega, Seguro garantiu respeitar “muito a vontade do povo português”, mas ressalvou que, consigo, “não há governos inconstitucionais”.

“Sou um democrata e respeito muito a vontade do povo português. Para mim não há portugueses de primeira e portugueses de segunda. Os portugueses, para mim, têm o mesmo valor. E sou um defensor leal à Constituição da República Portuguesa. Qual é o papel do Presidente da República a seguir a eleições legislativas? Tendo em conta o resultado, ouve os partidos políticos e toma a sua decisão, no sentido de convidar quem considera que está em melhores condições para formar governo. […] Dito isto, comigo não há governos inconstitucionais. Todos os governos têm de respeitar a Constituição da República”, asseverou.

“O meu estilo já foi demonstrado. Estive no terreno e não levei comunicação social atrás”

O socialista assumiu que, para já, não sabe “o que falhou” na gestão governamental das intempéries, ao mesmo tempo que considerou que, “neste momento, a prioridade deve ser canalizar todos os apoios para acudir às famílias que foram vítimas desta catástrofe, e também às empresas”.

“Para mim é muito importante reconhecer aquilo que é evidente para muitos portugueses. O Estado português não está preparado para responder a situações desta natureza, e tem de estar preparado. Porquê? Porque, no futuro, vamos ter, infelizmente, mais situações atmosféricas severas, com maior frequência. Portanto, o Estado tem de responder a tempo e horas”, disse, atirando que o Executivo “deveria de ter aprendido com os erros” do passado.

Seguro recordou que, quando Luís Montenegro anunciou o pacote de medidas de apoio às populações afetadas pelo mau tempo, no domingo passado, “disse que era necessário que essas medidas chegassem rapidamente às pessoas”. No entanto, “verificámos que, nesta quinta-feira, o primeiro-ministro veio dizer que eram necessárias medidas extraordinárias para que esses apoios chegassem às pessoas, o que quer dizer que o Estado não estava preparado”.

“Se merecer a confiança dos portugueses no próximo domingo, vai ser uma das minhas primeiras tarefas ir ao terreno verificar se as famílias e as empresas foram apoiadas”, assegurou.

O candidato sublinhou ainda que “não podemos ter um Estado de pés de barro”, tampouco “passar de situação em situação, dando o caso como encerrado”, razão pela qual exigirá “que o Estado se prepare para responder melhor”.

“O que é importante, neste momento, é acudir às pessoas. Aquilo que faria e farei como Presidente da República é exigir que o Estado tenha recursos e tenha meios para prevenir, na medida do possível, situações destas, e responder rapidamente às consequências. […] É aceitável que, passados 10 dias, ainda existam pessoas sem reposição de energia elétrica ou de água? Ou de telecomunicações? Podem haver todas as desculpas por parte dos operadores, mas tem de se exigir que haja uma resposta eficiente”, afirmou, escusando-se a tecer comentários quanto à atuação da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, que tem sido amplamente criticada pela aparente falta de preparação e desconhecimento do que se está a passar no terreno.

Questionado quanto ao estilo de Presidente que adotará, Seguro não deixou de atirar farpas a Ventura, que visitou as zonas afetadas fazendo-se acompanhar por câmaras e jornalistas: “O meu estilo já foi demonstrado. Estive no terreno e não levei comunicação social atrás. Porquê? Porque estavam a decorrer operações da Proteção Civil e eu não queria que isso interferisse nessas operações.”

O socialista disse, aliás, que “estava no terreno” no dia seguinte à passagem da depressão Kristin, onde viu “a situação com os próprios olhos”.

“No dia seguinte estava no terreno. Fui a Leiria, ver a situação com os meus próprios olhos. E desde esse dia que não parei de falar com autarcas, com famílias que foram vítimas e com empresários. Dei sempre voz, que é, neste momento, o bem mais precioso que tenho, uma vez que não exerço qualquer função política, em favor dessas populações”, garantiu.

Recorde-se que António José Seguro e André Ventura foram os mais votados na primeira volta das eleições presidenciais, pelo que disputarão a segunda volta, no dia 8 de fevereiro.

O candidato apoiado pelo PS e, agora, também pelo Livre, PCP e BE, conquistou 31% dos votos. Por seu turno, o líder do Chega obteve 23%.

Em terceiro lugar ficou João Cotrim de Figueiredo, que alcançou os 16%. O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal posicionou-se à frente de Henrique Gouveia e Melo, que obteve 12%, e de Luís Marques Mendes, que teve 11%, apesar de ser apoiado pelo PSD e CDS-PP.

À Esquerda, Catarina Martins (BE) obteve 2%, enquanto António Filipe (PCP) teve 1,6%. Já Jorge Pinto (Livre) ficou pelos 0,6%, abaixo do artista Manuel João Vieira, que conseguiu 1%. O sindicalista André Pestana recolheu 0,2% dos votos e Humberto Correia 0,08%.

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