
Governada durante dezenas de anos pelo clã Assad, a Síria é liderada desde o final de 2024 por autoridades islâmicas após a queda do presidente Bashar al-Assad.
O Líbano sofreu durante muito tempo com a hegemonia do clã Assad, a quem são atribuídos múltiplos assassinatos.
O vice-primeiro-ministro libanês, Tarek Mitri, e o ministro sírio da Justiça, Mazhar al-Wais, anunciaram ter assinado hoje aquele acordo no decorrer de uma conferência de imprensa em Beirute.
“Anunciamos hoje um passo importante no caminho da justiça”, afirmou o ministro sírio, expressando esperança de que o acordo contribua para “a melhoria das relações bilaterais no período vindouro”.
Mitri declarou à agência de notícia francesa AFP que os dois países estavam a trabalhar para “resolver todas as questões que afetam as relações bilaterais”, incluindo a resolução da situação dos outros prisioneiros.
Cerca de 2.250 sírios, ou seja, um terço da população prisional do Líbano, estão detidos nas prisões superlotadas do país, segundo uma fonte judicial, e Damasco tinha pedido que as autoridades libanesas lhe entregassem mais de 300 prisioneiros.
O ministro libanês indicou que o governo do seu país iria decidir hoje dissolver o Alto Conselho Líbano-Sírio, datado da época da intervenção do clã Assad no Líbano.
O governante acrescentou que o seu país iria também rever “acordos injustos celebrados na época da tutela síria” e que os dois países iriam delimitar o traçado das suas “fronteiras terrestres e marítimas”.
Por seu Aldo, o ministro sírio dos Negócios Estrangeiros, Assaad al-Chaibani, saudou na rede social X “uma etapa histórica” para a resolução das divergências entre os dois países e “um ponto de partida para estratégias sólidas”.
A questão dos prisioneiros é um dos problemas mais complexos entre os dois países.
Segundo as autoridades libanesas, o acordo assinado hoje diz respeito a detidos sírios condenados por crimes no Líbano e que cumpriram dez anos ou mais de prisão e que devem cumprir o restante da sua pena na Síria.
Centenas de prisioneiros sírios, acusados de “terrorismo” ou de ataques contra as forças libanesas, foram levados a tribunais militares libaneses. Outros estão presos por pertencerem a grupos armados ou terroristas que combateram o poder de Assad durante a guerra civil (2011-2024), e aguardam julgamento.



