5 fevereiro, 2026
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"Quem acha que está decidido está a menosprezar o eleitorado português"



O candidato presidencial André Ventura considera que os interesses instalados poderão impedir que vença a segunda volta das eleições presidenciais. Numa entrevista, na noite desta quarta-feira, na SIC Notícias, começou por referir que “nunca se deve tomar o povo português por tonto ou não decidido”, sendo depois questionado sobre se a larga fatia do eleitorado que não vota em si faz parte do sistema, numa alusão aos resultados da primeira volta e às várias sondagens que têm saído desde então.

 

“Há claramente um sistema de interesses montado com medo e com receio de que a minha candidatura vença. Todas as elites se juntaram, da Esquerda à Direita, – até pessoas que diziam há uns meses que o socialismo mata – à volta do candidato socialista”, insistiu, voltando a ser inquirido sobre os eleitores e não sobre os apoios políticos.

O candidato apoiado pelo Chega referiu então que sobre os eleitores ainda não se sabe, porque “nada está decidido”. “Quem acha que isto está decidido está a menosprezar o eleitorado português. Vamos ver no domingo”, elaborou. Para Ventura, o que está em causa “não são os eleitores”, mas sim “o sistema de interesses que se juntou e que desfila pelas televisões”, sendo recordado pela jornalista que também o próprio tem feito o seu percurso televisivo.

“O militante número dois do PSD apoia-me, mas isso não foi notícia nas televisões. Porquê? Porque não interessa. O que interessa é dar a ideia de que há um sistema das pessoas todas, chamados notáveis, que saíram de uma caverna qualquer – alguns não apareciam há anos – para dizer que apoiam António José Seguro.”

Sobre se isso poderá influenciar os eleitores que não votam em si, Ventura respondeu: “O público não sabemos ainda. Temos de esperar para ver. O público ainda não votou. Votou na primeira volta e colocou-me na segunda”, escusando-se a fazer leituras sobre possíveis resultados.

O também presidente do Chega voltou então a insistir que “os chamados notáveis acham que são donos do voto do povo”. “É um sistema de interesses que está a defender-se a si próprio, está a defender os seus poderes, eu respeito isso, não venham é falar de povo português. É um conjunto de elites que está com medo de perder o seu lugar ao sol.”

Governo “não aprendeu com os erros do passado”

A quatro dias da segunda volta das eleições presidenciais, o candidato presidencial passou, esta quarta-feira, pelo distrito de Beja, depois de ter visitado algumas das zonas mais afetadas pela depressão Kristin e mais recentemente Leonardo.

Sobre a resposta do Estado aos efeitos do mau tempo, classificou-a como sendo “reveladora de incompetência grotesca” e “falta de empatia com as pessoas afetadas”. Disse ainda que o Governo “não aprendeu com os erros do passado”, recordando outras crises como os incêndios de 2017 ou o apagão nacional, e destacou falhas na atuação das autoridades e na mobilização de meios, sublinhando também que o Estado deveria ter ativado mecanismos de apoio mais cedo.

“Quantas mais pessoas vão ter de morrer para que o Estado português faça a aprendizagem que tem de fazer para ir em auxílio dos seus cidadãos? Funcionou tudo mal”, atirou.

O próximo Presidente da República será eleito numa segunda volta já no domingo, 8 de fevereiro, depois de António José Seguro ter obtido na primeira volta 31,1% (1.755.563 votos) e André Ventura 23,5% (1.327.021 votos). A votação decorre já no domingo, 8 de fevereiro, tendo o voto antecipado decorrido no domingo passado.

O vencedor vai suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, eleito em 2016 e que termina o segundo mandato em março.

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